União de Freguesias de Rapa e Cadafaz

População: 302

Dista da Sede de Concelho: 13 km

Área: 1648 ha

Festividades

RAPA
Festa de Sto. André (30 Novembro)
Festa de Nª Sra. do Rosário (Romaria dos rebanhos)
CADAFAZ
Festa de S. Sebastião
(2º Domingo de Agosto)

Notas Históricas

RAPA

Situada na costa do planalto Beirão, a Rapa aparece com todo o seu encanto na Estrada Municipal n.º 557, que liga a Celorico da Beira.
A freguesia da Rapa é constituída unicamente pelo aglomerado populacional do mesmo nome, confrontando a Norte e a Oeste com as freguesias de Lajeosa do Mondego, Vale de Azares, Cadafaz e Prados no concelho de Celorico da Beira, e a Sul e Este com as freguesias de Mizarela e Aldeia Viçosa no concelho da Guarda, ficando no extremo do concelho de Celorico da Beira.
Tendo por perto o castro de Monte Verão, a Rapa terá tido a sua origem nas imediações dessa primitiva povoação fortificada habitada por povos ancestrais.
D. Dinis, teve aqui aldeias e casais que doou a um clérigo por serviços prestados à nação. Foi um priorado da apresentação do Marquês de Gouveia e do padroado real.
Dizem os antigos que a Rapa teve outra designação, que dava pelo nome de Vila de Rodalhos (Vila Quinta Romana, significando “rodalho”, um disco de madeira com o qual se modelam peças de louça). Como e porquê terá deixado de ser Vila dos Rodalhos, não se sabe.

A freguesia da Rapa possui no presente, um dinamismo de algum modo invejável por muitos aglomerados do Maciço da Serra da Estrela.
O teatro, com tradições de há mais de cem anos, é o orgulho dos seus habitantes, fazendo “subir o pano” na freguesia e em redor dela. Fundado pela “Poetisa das Beiras”, D. Maria José Furtado Mendonça, natural da Rapa, que se escreveu com Camilo Castelo Branco e autora do livro “Flores de Inverno”, bem como dos dramas que o teatro da Rapa tem levado à cena: “Ressureição de Cristo”, “Sto. António” e “S. Sebastião”, e as comédias: “Corrida do Galo” e “Guarda Sol”.

O sector primário é a actividade que absorve a maior parte da população activa da freguesia. A olivicultura é dentro do sector uma actividade com algum peso, e a testemunhá-lo está o lagar da Rapa, ainda hoje a laborar, rodeado de uma animação que se repete anualmente, produz do melhor azeite da região.
A Rapa, como freguesia da Serra da Estrela, é também uma das freguesias responsáveis pela produção do bom queijo da Região, existindo vários produtores e queijarias devidamente credenciadas.
Outras profissões, algumas bem antigas, como a de sapateiro, carpinteiro e serralheiro, ou outras mais modernas como a de pintores e electricistas são também actividades a que se entregam as gentes desta terra. A construção civil é ainda outra actividade que absorve mão de obra desta freguesia.
A freguesia apresenta ainda condições suficientemente atractivas para a fixação de casais jovens, responsáveis pelo aumento de crianças e jovens da Rapa, alterando deste forma um destino que há pouco tempo parecia irreversível.
Aldeia rica em tradição oferece ainda ao visitante a sua tipicidade graças às suas gentes e actividades, como as lagaradas ou os tradicionais jogos populares nas tardes de Domingo.

Lendas e Tradições
Hino da Rapa
(Coro)
Eis a Rapa, eis a Rapa sem rival
Sempre altiva e pronta a vencer
É o orgulho sempre vivo e sem igual
Sabendo cumprir o seu dever

Rapazes e raparigas
A compasso e com pé leve
Cantai as nossas cantigas
Ou ninfas Brancas de Neve

Pelos vales pelas serras
Por caminhos escabrosos
Acorrem à nossa terra
Nestes dias jubilosos.

Lenda da Pedra que abana
Havia um senhor que tinha umas cabras, no tempo em que na Rapa não havia oliveiras mas sim castanheiros em abundância.
Como no vale existia grande quantidade de oliveiras, os habitantes da Rapa foram pouco a pouco substituindo os soutos por Olivais. Assim que os proprietários plantaram Oliveiras proibiram o homem de entrar com as cabras ao povoado, então o homem, chamado Roldão, fez um grande penedo que murou para poder deixar as cabras.

Topónimos

Vários: Monte Verão, Souto dos Rodalhos, Entregias.

Fervença: deriva do barulho das águas em cachão e da fumarada que levantam, semelhante ao vapor de água a ferver.

CADAFAZ
Esta povoação está assente a meia encosta dum monte, o Planalto Beirão, ramificação da Serra da Estrela, na margem esquerda do rio Mondego, podendo já incluir-se na região serrana que se distingue sobremaneira da do Vale do Mondego, distanciando 12 Km da sede do concelho. Assim descreve a poesia:
Cadafaz está no meio
De Vale d’Azares e Prados
Rapa e Souto Moninho
São os guardas dos dois lados.

Inserida na região da Serra da Estrela, Cadafaz é uma das 22 freguesias de Celorico da Beira, mergulhada no centro do concelho e circundada pelas freguesias da Rapa, Prados, Salgueirais, Vide-Entre-Vinhas e Vale de Azares. Servida pela Estrada Municipal nº557, que a liga a Celorico da Beira e Lajeosa do Mondego, daqui se pode chegar à Rapa e Prados.
Sobre a origem do toponímio Cadafaz, paira a incerteza. Contudo, dizem os antigos, que provavelmente terá resultado do facto de os primeiros habitantes conhecedores da arte de carpintaria, e aproveitando os castanheiros existentes, construíram cada um a sua própria casa, tendo contribuído para gerar o comentário pelas terras vizinhas: “cada um faz”… Derivando daí o nome do lugar. Outra hipótese explicativa relaciona o nome com o vocábulo homógrafo do idioma malhorquino, que designa andaimo, armação de madeira, tribuna ou cadafalso. A origem Provençal do referido idioma confere alguma veracidade á hipótese e talvez haja analogia entre o Cadafaz português e o Cadafaz malhorquino.
O Cadafaz, outrora curato, pertencente ao Padroado Real, tinha a sua Igreja edificada num local diferente do actual, no sítio das Hortas, tendo sido posteriormente transladada para o actual lugar, devido a uma praga de formigas que invadiam o sacrário. Enquanto a Igreja estava a ser reconstruída, o seu espólio religioso foi albergado na Igreja da Rapa.
Hoje a freguesia de Cadafaz tal como muitas outras do concelho, coabita com a ausência de população jovem, vendo as suas casas e ruelas povoadas por pessoas idosas.
Os activos da freguesia retiram da construção civil, duma agricultura de subsistência e da pastorícia, o sustento familiar. Esta última, é talvez a actividade mais importante da freguesia, pois contam-se aproximadamente 800 ovelhas distribuídas por 12 rebanhos, as quais produzem matéria-prima para a produção artesanal do tão conhecido – Queijo da Serra da Estrela.
As oliveiras, são hoje, as árvores que predominam na paisagem, ocupando um pouco o espaço que outrora pertenceu aos castanheiros e seus reconhecidos soutos.

Lendas e Tradições

Águas e quezílias
Quando os de Cadafaz resolveram fazer uma levada, os senhores, da Rapa, reclamaram a água, queixando-se ao Tribunal. Então, as gentes de Cadafaz improvisaram um moinho com uma roda de carro de bois . Quando os juizes do Tribunal vieram verificar o local a fim de se pronunciarem sobre a causa, encontraram pelo caminho, mulheres que levavam sementes e faziam a farinha .Perguntando os juizes, às mulheres que iam e vinham, estas lhes responderam que vieram do moinho, enganando assim os juizes que se pronunciaram a favor dos de Cadafaz, visto que a levada tinha como objectivo o funcionamento do moinho.
Este episódio não teria agradado muito aos da Rapa que teriam ficado com um crucifixo de Cristo, aquando da mudança da Igreja de Cadafaz, do lugar das Hortas, para o actual lugar.
Porém, uma outra história, conta que numa Festa do Santíssimo, realizada rotativamente pelas paróquias da Diocese da Guarda, e que nesse ano teve lugar na Rapa, os da Rapa pediram aos do Cadafaz a custódia, que se encontrava em melhor estado de uso, que a deles.
Como os da Rapa perderam a causa da água por uma artimanha, sentiram-se ofendidos, não restituindo a custódia aos do Cadafaz.

A aldeia anexa de Souto Moninho

Segundo o Prof., Ramos de Oliveira, é uma anexa desde 1816, assim chamada em razão dum indivíduo deste nome ali possuir outrora vastas propriedades ou, como pretendem outros, em alusão ás terras de baldio que havia no seu termo e que o povo denominava “Maninhos”. Este termo, segundo Cornu, deriva de “Mannus”: o garrano. Á primeira vista mal se compreende a relação entre as duas coisas, mas se considerarmos o costume de criar manadas de garranos, a raça cavalar típica da região, nesses locais, facilmente se compreenderá que o animal denominou as terras, onde se criava.