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Vide Entre Vinhas

As vides e as vinhas que deram nome à aldeia parecem ter desaparecido no passar dos séculos. Outras culturas vieram sobrepor-se à que foi a base da economia do concelho durante muitas gerações. Quem sabe se voltará, revestida de cultura de vinho de altitude? O percurso da Senhora dos Verdes convida à reflexão sobre a persistência e a resiliência das gentes de montanha, que se mantiveram no território não obstante catástrofes, conflitos, crises. Até porque a água da ribeira do Vinagre é omnipresente no trilho, quer quando a atravessamos, quer quando cruzamos os terrenos que ela nutre, cheios de potência e vitalidade. O som da ribeira mistura-se com os chocalhos das bordaleiras que pastam por aqui; testemunhas de uma prática tradicional que luta pela valorização de um produto único no mundo, o Queijo Serra da Estrela. Os recantos da aldeia e das terras do seu ambiente transpiram riqueza e fazem-nos vibrar na harmonia do mundo rural em toda a sua complexa simplicidade.

A Ribeira do Vilhagre é um encanto que vale a pena explorar na visita à aldeia. Nesta vemos a vitalidade da população em meados do século XX, quando reconstruiram e ampliaram o templo religioso. Não muito longe da povoação pode encontrar as cruzes do Calvário, até onde a procissão pascal acorria, e onde pode fruir de um imenso domínio visual da paisagem.

APRESENTAÇÃO DO PERCURSO

Terra que foi de vides e vinhas, esta aldeia renasceu sob a égide da pastorícia e do fabrico do queijo DOP. Para estas montanhas muitos se terão refugiado aquando das guerras napoleónicas, e esta aldeia não foi exceção aos danos causados pelos exércitos inimigos.

Calcorreando a estrada de alcatrão percebemos o quanto se luta nestes cumes para evitar o esquecimento: ainda há aqui gente e vida que precisa deslocar-se. Ao longo do caminho que ladeia com o antigo campo da bola pressentimos que muitos foram os que desertaram das agruras da Serra. No entanto, ao entrar no trilho do pastor entendemos bem quem ficou: podem vir inimigos, gafanhotos, tempestades, secas, que aqui a Natureza ganhará sempre!

A água vinda da Serra do Ralo é força e sumptosa elegância, respeitada por pessoas, bichos e árvores que se vergam à sua passagem. Este percurso convida o admirador da montanha a embrenhar-se por um dos seus múltiplos vales, pelos trajetos que se foram aí gerando ao longo de séculos, para poder usufruir dos excedentes da floresta.

Disso lhe falarão os pastores que encontrar pelo caminho: “ali ía buscar lenha, ceifar o centeio, apanhar azeitona, apanhar castanhas, nozes e amoras” e quem sabe se amores! Ultrapassado o vale, suba de novo à aldeia pelo percurso das suas quintas, casas e quintais.

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