SALGUEIRAIS
Longe vai o tempo que nomeou a aldeia por causa da espécie arbórea que a circundava. Ainda há alguns salgueirinhos, mas a floresta de Salgueirais foi, entretanto, usada por séculos de ocupação humana desta falda da Estrela. O património natural percorrido pelo trilho mostra uma paisagem viva: novas manchas arbóreas repovoam os terrenos entre Galisteu e Salgueirais, marcados pelas pastagens necessárias aos rebanhos que lá persistem. As gentes destas aldeias convivem com a sua natureza, reclamando a sua identidade rural no seio da história que se repete geração após geração. Os caminhos entre quintas, vales e montanhas revelam o calcorrear das suas gentes e dos seus rebanhos, agora também divididas com a estação de energia eólica que se instalou lá no alto, desafiando as preces da Nossa Senhora do Ouvido que ainda ecoam nas terras por ela abençoadas. A simplicidade das aldeias contrasta com a exuberância da paisagem que se espraia em fabulosos ocasos, que parecem durar até à imensidão de um azul de mar.
Além do desvio até à Barragem de Salgueirais, oásis cristalino no alto da montanha, é também possível fazer uma viagem ao passado na visita à Escola-Museu de Salgueirais, na exposição permanente que mostra a escola primária no tempo do Estado Novo. A Tapada dos Caixões é um exemplo das micro-necrópoles alto-medievais que ainda apresentam desafios de interpretação à arqueologia.
APRESENTAÇÃO DO PERCURSO
Inspirado pela Nossa Senhora do Ouvido, deixe que esta lhe sussurre a direção que quer seguir. Pode optar por enveredar pela aldeia de Salgueirais para seguir em direção a Galisteu, calcorreando caminhos rurais que perderam uso mas não o jeito de nos conduzir por entre quintas e pastos, até chegar à Capela de S. Miguel, outrora matriz desta pequena aldeia.
Em Galisteu pode fazer um pequeno desvio para apreciar o vale do Mondego nas lajes da aldeia, convidativas a uma pequena pausa. Daí é seguir para o cimo da serra, pela cumeada que mostra grandes áreas de pastoreio, intercaladas com soutos novos que prometem transformar paisagem, marcada mormente por carvalhais e pinhais dispersos.
Desengane-se: as antenas eólicas estão ainda longe, e aproveite para apreciar as faldas da Serra que aqui se começam a desenhar! Verá o caminho a afunilar-se, até desembocar na estrada que lhe indica a Barragem de Salgueirais, como ponto de interesse a visitar, e que conduz à Escola-Museu de Salgueirais, antes de retornar à Capela da Nossa Senhora do Ouvido.
Num ou noutro sentido, vai sempre encontrar água no inverno, sombras no verão, e a excentricidade natural própria de primaveras e outonos adornados de cores e sons, todos prontos a dançar com o movimento do Sol ao longo de toda a encosta.
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