DESCRIÇÃO FÍSICA


Área

1125 ha

População total - Censos 2001

Indicador

Período

Unidade

Variação

1991

2001

%

População Presente HM

119

131

indivíduos

10,1

População Presente H

56

61

indivíduos

8,9

População Residente HM

122

144

indivíduos

18.0

População Residente H

56

69

indivíduos

23,2

Famílias

53

52

-1,9

Alojamentos

116

102

-12,1

Edifícios

115

101

-12,2

Instituto Nacional de Estatística

Distância à sede de concelho
13 Km

Infra-estruturas educativas
Escola Primária da Velosa
"Antes de criada a Escola havia os antigos mestres régios da nomeação da Câmara, que ganhavam 120 Réis e um pão por cada aluno. Depois passaram a receber 350 Réis. A escola sempre foi mista, sendo a sua primeira Professora, em 1901, Isaura da Conceição Faria."

Infra-estruturas sociais desportivas e culturais
Sede de Junta de Freguesia
Associação de Melhoramentos Cultural e Desportiva da Velosa
Forno Colectivo
Polidesportivo
Salão Paroquial

Locais a visitar
Adro da Capela
Calvário
Ribeira da Velosa
Barroco da Penhadeira
Sepulturas Antropomórficas
Lapa da Louçã

DESCRIÇÃO HISTÓRICA


A freguesia de Velosa ocupa um dos extremos do concelho de Celorico da Beira. Faz fronteira a Norte e a Oeste com as freguesias de Maçal do Chão, Baraçal e Açores. A Sul e Este com as freguesias de Vila Franca do Deão e Sobral da Serra, do concelho da Guarda.
É uma das mais pequenas povoações do concelho, com cerca de 150 habitantes. Fica a 13 km da sede do concelho, sendo servida pela EM 557. Tem ainda ligações a outras localidades dos concelhos da Guarda e Trancoso.
Ignora-se o seu primitivo nome, perdido nas brumas do tempo. Da denominação actual diz-se só ter sido adoptada a partir de D. Fernando. No entanto, isto poderá não ser totalmente verdade, pois já anteriormente ao seu reinado o local era conhecido por Avelosa.
É certo que existe uma lenda que lhe dá uma explicação interessante.
Muito antes da formação da monarquia, quando um rei Godo veio ao Freixial (actual Freguesia de Açores), aconteceu na Igreja desta localidade um incidente com um açor. Conta-se que a fuga do pássaro ia custando a vida ao pagem que o havia deixado escapar. Ficou conhecida como a Lenda do Açor.
A ave, ao sentir-se em liberdade, tomou a direcção leste e, veloz, voou até um lugar da actual freguesia que assim se passou a chamar Velosa. Esta é a Lenda que o povo não deixa esquecer, transmitindo-a de geração em geração.
Historicamente, sabemos que em 1368, nas calamitosas guerras civis que ensanguentaram a Espanha, Henrique Transtamara, vencedor da contenda, não hesitou em assassinar seu irmão Pedro, “o Cruel”. Os partidários deste último procuraram a salvação refugiando-se em Portugal. A todos D. Fernando acolheu benignamente. No entanto, destacava-se, entre outras, a presença em Portugal do fidalgo galego António Veloso, descendente do Conde D. Rodrigo, Senhor da Ribeira e Cabreira, em Espanha. A ele foi entregue pelo Rei Formoso esta Povoação, que desde então passou a tomar o seu nome. Mais tarde foi elevada à categoria de Vila com a designação de Velosa.
A origem etimológica deste nome está, para além da lenda, numa corrente geralmente aceite, segundo a qual este étimo se filia na exuberância capilar ou "cabeludo". Há também quem lhe dê uma significação gótica, dividindo-o em duas palavras – “Vill” e “Oso”. A primeira, “Vill”, significa o maior, primogénito, mais velho, chefe, poderoso ou mais forte; a segunda, “Oso”, significa casa, domínio, estado, solar, família ou tribo. Com o decorrer do tempo, o “Vil” transformou-se no português e anteriormente no galaico, em “Vell”.
Existem na Velosa muitos locais de interesse histórico e de lazer. Por todo o lado reina a calma... o som do vento, o canto dos pássaros, os rebanhos que por ali se apascentam, a surpresa do voar súbito de uma perdiz ou o salto brusco de um coelho.
O granito é visível nas suas serras, com imensos penhascos e barrocos, daí as populações vizinhas a designarem também de "Barroqueiros".
A freguesia da Velosa tem hoje muitas quintas centenárias abandonadas. Apesar de não serem muito grandes nem terem as casas bem conservadas, possuem pastos ricos e terrenos férteis. Quase todas elas possuem um forno onde era cozido o pão, os tradicionais biscoitos e os afamados cabrito e borrego de raça bordaleira (uma raça de ovelhas cujo leite tem características únicas para a produção do queijo Serra da Estrela e requeijão, que também se encontram na Velosa).

Podemos também encontrar na Serra da Velosa pedras que serviam para espremer ou pisar as uvas, substituindo os lagares ou tinas no fabrico do vinho.

"Quase todas as Famílias produzem vinho para gasto de casa".

Esta freguesia é banhada por uma ribeira que fertiliza os seus campos. O vale sobre o qual corre é muito fértil, produzindo em abundância todos os géneros alimentícios próprios da região. É por isso considerada uma das freguesias onde a população vive melhor. Na direcção Norte estende-se a Lameira, logradouro público de grande extensão onde se faziam as malhas e o mercado mensal.

Do património cultural e paisagístico da Velosa destaca-se o Calvário, onde em tempos se praticavam actos de culto e de onde se pode desfrutar de uma panorâmica magnífica da freguesia: a Fonte, onde no passado a população se abastecia de água fresca e cristalina; a Ribeira, fértil em pequenos peixes e utilizada também para lavagem de roupa.

Existem ainda na serra algumas sepulturas antropomórficas e até um abrigo de montanha onde os pastores se abrigavam das intempéries com os seus rebanhos.

Sendo uma aldeia rural situada entre duas montanhas, a Velosa pode tornar-se num ponto turístico de referência, quando alguns projectos da Junta de Freguesia e Associação de Melhoramentos estiverem concluídos. Falamos da recuperação da zona ribeirinha - onde já existe o açude, para que as pessoas se possam refrescar; do polidesportivo para prática de Ténis, Futebol, Voleibol, Andebol e Basquetebol.
Com uma economia assente na agricultura e um quotidiano rural, a Velosa oferece ao visitante a contemplação do seu bonito património arquitectónico e paisagístico e a beleza de um ambiente Beirão nas suas casas e ruas.

Na Velosa existe hoje uma Associação de Melhoramentos. Fundada em 26-12-1991, o seu trabalho visa o desenvolvimento da Freguesia e do Concelho, apoiando a terceira idade, os jovens e os mais necessitados. Para isso, criou um Centro de Dia com apoio domiciliário, que funciona na sede da Junta. Construiu uma sede, com um Salão para convívios e actividades culturais e um polidesportivo. Dispõe ainda de um veículo de nove lugares, instrumento importante para ajudar a desenvolver a sua actividade.
Visite a Velosa, procure investir e ajude a desenvolvê-la.
A 3 Km da A25, 13 Km de Celorico da Beira e 18 Km da Guarda fica perto de tudo.

FESTAS E FEIRAS


Festividades                                                                                                                   
Anualmente, no primeiro fim-de-semana de Agosto, realiza-se a Festa de Nossa Senhora dos Prazeres. Durante três dias é animada com concertos musicais e com a tradicional Banda Filarmónica. Decorrem ainda jogos tradicionais ( Malha e Galo), animação de rua, fogo de artifício e jogos de futebol.

LENDAS E TRADIÇÕES


Tradições

A maioria das tarefas agrícolas eram feitas em comunidade, trocando-se os dias entre os vizinhos e amigos. Depois da cesta juntavam-se nos quintais para escamisar e malhar o milho, o feijão, o grão e outros produtos.
O cereal era malhado nas lajes particulares e na Lameira – local público onde eram feitas a maioria dessas tarefas.
Ao serão esboroava-se o milho e contavam-se histórias, sempre acompanhadas de danças e cantares ao toque da flauta, guitarra e realejo. A matança do porco é outra tradição que sempre se manteve. Ainda hoje os amigos se juntam neste dia, onde não faltam jogos de cartas, bons petiscos e bom vinho.
Mas há mais:

  • No dia 1 de Novembro, dia de Todos os Santos os jovens pedem de porta em porta o Santoro;
  • No dia 24 de Dezembro acende-se o Fogo de Natal no largo da Igreja com a lenha que os rapazes cortam;
  • A 1 de Janeiro, pedem-se as Janeiras;
  • No Carnaval deitam-se as Bugalhas para dentro das casas;
  • Na Quaresma a população joga a Pela e a Malha;
  • Também o Magusto, costuma ser uma tradição na nossa terra...

"Batalha do Barroco da Penhadeira"
Leva-nos a história até ao tempo de D. Sancho I. Depois de os leoneses terem invadido e ocupado parte dos castelos da Beira, dá-se uma batalha, ao que se sabe, no Vale da Penhadeira. Foi aí que, numa noite de lua nova, os portugueses derrotaram os leoneses, depois de invocarem a Senhora do Açor.
O Vale da Penhadeira é um lugar que existe no limite da freguesia. O local prestava-se a acções desta natureza por constituir uma passagem estreita na qual todas as surpresas eram possíveis, sobretudo se tomarmos em conta os processos guerreiros da época.
Também no mesmo local se encontra um penedo, o célebre Barroco da Penhadeira. É uma enorme pedra que se encontra aberta ao meio, facto para o qual o povo encontrou uma explicação curiosa:

A História da Fenda no Barroco da Penhadeira
Consta que em outros tempos havia uma velha que vivia na Mizarela (freguesia do concelho da Guarda) e que tinha uma excelente cerejeira. Dia e noite, a velha guardava a sua preciosa árvore e nenhum ser vivo ousava roubar-lhe as deliciosas cerejas. Mas, eis que um dia, um atrevido e preto melro de bico amarelo ousou roubar-lhe, descaradamente, uma cereja. A velhinha ficou furiosa e, de espada de cortiça em punho, perseguiu o melro que fugia com a cereja no bico.
A perseguição durou até ao lugar da freguesia da Velosa, a cerca de 15 quilómetros. Foi aí que o audaz melro pousou num penhasco, o Barroco da Penhadeira. Assim que a velha o viu pousado, exausto, avançou para ele com tal determinação, brandindo a sua espada de cortiça. De súbito, desferiu um tamanho golpe. Não acertou no melro que na hora se escapou, mas sim no barroco, abrindo-o ao meio.

"Velosa, uma freguesia situada num vale entre duas serras cheias de grandes penhascos e barrocos, (daí as populações vizinhas a designem também de Barroqueiros)

Barroqueiros da Velosa
Onde tendes vós a fama?
É só no Santo Prior
E na Capela de Santa Ana."

Há canções muito antigas que transmitem histórias e lendas do lugar...

Canções
I
"Minha Terra é Velosa, bonita e hospitaleira
Bem situada e airosa no vale da Penhadeira."
Ora Bate Bate, Cantava ao Poupinha.
Ora Bate Bate, a Poupinha cantava.
Ora Bate Bate, Cantava a Poupinha...
Poupai Poupai que eu sou pobrezinha.
Tens os Campos verdejantes...Vinhedos e Olivais
Ribeira de águas cantantes...Por entre touros trigais.
Ora Bate Bate Cantava o Cuquinho.
Ora Bate Bate o Cuquinho Cantava.
Ora Bate Bate Cantava o Cuquinho.
Cucu Cucu no alto do Ninho.
Minha Terra é Velosa...Barreirinhas a subir
Quem nela Tomar Amor...Vai ao Céu e torna a vir.
Ora Bate Bate Cantava o Grilinho
Ora Bate Bate o Grilinho Cantava
Ora Bate Bate Cantavo O Grilinho
Gri Gri, Gri Gri No Seu Buraquinho.
II
"Velosa Aldeia sem par... Antiga Vila de outrora
Quem de ti se aproximar... Nunca mais se vai embora.
Tudo que é teu tem encanto...Tudo o que tem nos sorri
Tivestes herõis de um santo... Que a vida deram por ti.
O teu povo numa prece... Cheio de crença e fervor
Ainda hoje enaltece... O bom do Santo Prior.
Às portas da Penhadeira... Arvorão do seu pendão
A tua gente altaneira... Venceu o Rei de Leão.
Banhas os pés na Ribeira... Onde te miras Airosa
E limpa-tos a Lameira... Com toalhas veludosas.
És como Princesa encantada... És minha mãe meu aconchego
Em teu Trono reclinada... És a coroa do Mondego."

III
Ai Velosa Nossa Aldeia Linda...
Numa Graça Infinda que a tudo seduz...
Foi Deus que no seu Amor....
A Encheu de Luz ...e a Banhou de Cor
É Pobre mas que importa....
Se é para nós a mais bela...
Mas em nossos pensamentos...
Não há outra como ela
É Pobre em Monumentos
A Nossa Aldeia Singela
Mas em nossos pensamentos
Não há outra como ela.
No Alto da Freguesia
P'ra Santa Ana Orar
Há uma linda Capelinha
Pequenina a Branquear.
IV
"Minha Terra é Velosa, bonita e hospitaleira
Bem situada e airosa no vale da Penhadeira."
"E na Serra em frente, de muitas maneiras
Prende toda a gente, as Abitoreiras."
"Velosa Aldeia sem par... Antiga Vila de outrora
Quem de ti se aproximar... Nunca mais se vai embora.
Tudo que é teu tem encanto...Tudo o que tem nos sorri
Tivestes heróis e um santo... Que a vida deram por ti.
O teu povo numa prece... Cheio de fé e fervor
Ainda hoje enaltece... O bom do Santo Prior.
Banhas os pés na Ribeira... Onde te miras Airosa
E limpas-te na Lameira... Com toalhas veludosas.
Às portas da Penhadeira... Arvorão do seu pendão
A tua gente altaneira... Venceu o Rei de Leão.
És como Princesa encantada... És minha mãe meu aconchego
Em teu Trono reclinada... És a coroa do Mondego."

OUTROS ASPECTOS - TOPONÍMIA


Toponímia

Agrassam: de campo ou terra cultivada.
Pioneiro: aquele que primeiro desbravava terras incultas.
Val dos Temidos: qualquer ocorrência que deu lugar à impressão de terror ou medo.
Camalhão: pequena camada de terra elevada.
Avenadas: derivará de avena, pequena flauta pastoril ou pífaro.