DESCRIÇÃO FÍSICA


Área
496 ha

População total - Censos 2001

Indicador

Período

Unidade

Variação

1991

2001

%

População Presente HM

235

227

indivíduos

-3,4

População Presente H

108

107

indivíduos

-0,9

População Residente HM

255

227

indivíduos

-11.0

População Residente H

125

107

indivíduos

-14,4

Famílias

88

79

-10,2

Alojamentos

161

183

13,7

Edifícios

161

180

11,8

Instituto Nacional de Estatística

Anexas
Porteira
Mourela
Distância à sede de concelho
8 Km
Infra-estruturas educativas
Escola Primária de Cortiçô
Escola Primária da Porteira

Infra-estruturas sociais desportivas e culturais
Sede de Junta de Freguesia
Associação Desportiva Recreativa e Cultural de Cortiçô da Serra
Campo de Futebol de Cortiçô da Serra
Sala de Espectáculos
Locais a visitar
Cruzeiro
Capela de S. Sebastião
Penedo Gordo
Cabeço do Martim Moreira
Penedo da Bota
Fonte dos Namorados

DESCRIÇÃO HISTÓRICA


Constituída por três aglomerados populacionais – Cortiçô da Serra, Porteira e Mourela –, a freguesia de Cortiçô da Serra é a mais pequena do concelho, com uma área de reduzidos 496 hectares.
Segundo o Prof. Manuel Ramos de Oliveira, “a aldeia de Cortiçô uma das mais antigas do Concelho, conforme o indicam as regalias que gozou nos primórdios da monarquia. Pedro bom vendeu esta aldeia a D. Urraca e seu filho D. Lopo Afonso. D. Urraca deu-a a D. Sancha Lopez, sua nora. Esta era afilha de Fernão Pires Pelegrim e sua primeira mulher D. Urraca Nunes de Bragança, filha de Pero Nunes Velho que era filho de Nuno Soares Velho “o postrimeiro”, do qual Gato e de D. Urraca foi também filho Lopo Afonso Gato, casado com D. Sancha Pires de Gundar, filha de Pedro Lourenço de Gundar e de Totida; tendo filhos destes vários Lopes Gatos, portanto netos de D. Urraca Fernandes, já chamada Gata.
Foi inicialmente da Ordem do Hospital, trazendo-a a mulher de Lopo Gato. Pagava dízimos verdes (um quarteiro de esverdeados), consignando-se também a proibição das querimónias (queixas ou querelas). Teve foral de Martim Pires e sua mulher D. Teresa Martins que eram senhores da freguesia em 1254, sendo renovado em 1333. posteriormente, foi doada a João Afonso, filho de El-Rei D. Denis. Começou por chamar-se “Cortico” – que significava descascar – para depois se chamar Vila Boa de Jejua, voltando novamente a designar-se, com renovada pronúncia, Cortiçô. Segundo a “Nova História da Ordem de Malta”, Cortiçô começou por ser uma albergaria.
Cortiçô da Serra, foi uma freguesia pertencente à comarca de Linhares, constituindo um lugar só.
Mourela e Porteira juntas faziam uma freguesia, mas pertencente a Celorico. Com a extinção da comarca de Linhares, Cortiçô agregou a si os lugares de Mourela e Porteira, constituindo na actualidade os lugares pertencentes à freguesia.
Servida pela EN 17 que liga Celorico da Beira a Coimbra, dista 8 km da sede do concelho, confrontando com as freguesias de Salgueirais, Vide-Entre-Vinhas, Mesquitela, Vila Boa do Mondego e Casas de Soeiro, com as quais faz ligação através das estradas Municipais nºs 553 e 554.
Cortiçô da Serra foi, sem dúvida, a freguesia do concelho que mais dinâmica e dividendos perdeu com a abertura do Itinerário Principal (IP5) – que faz ligação de Vilar Formoso a Aveiro.
De facto, a passagem e paragem de visitas, pela freguesia em direcção a Vilar Formoso ou a Coimbra e ao Litoral, antes da abertura daquele itinerário, animava a freguesia e dinamizava o seu comércio. Hoje porém, a realidade é bem diferente e o lugar de Cortiçô, padece das privações do progresso.
A base económica da freguesia é sem dúvida o sector primário, constituindo as principais actividades na criação de pequenos ruminantes, no fabrico artesanal do queijo, e na produção de azeite.
Alguns dos habitantes de Cortiçô da Serra encontram trabalho na sede do concelho devido à sua proximidade e aos seus óptimos acessos. A construção civil é uma das actividades com bastante relevo ao nível do emprego da freguesia.
O visitante da freguesia facilmente compartilha a hospitalidade dos residentes, saboreando também os seus manjares característicos como o queijo, os enchidos tradicionais e o vinho, acompanhados de amizade e simpatia.

FESTAS E FEIRAS


Festividades
Festa da Imaculada Conceição
(8 de Dezembro)

Festa do Divino Martir S. Sebastião
(meados de Agosto)

LENDAS E TRADIÇÕES


Lendas e tradições

“Canção de Cortiçô Da Serra”

Cortiçô é minha terra
Terra pequena e fagueira
É das terras mais bonitas
Que existe na nossa Beira

Situada junto à serra
Que fica com carinho
Tu escutas elevadas águas
Que correm mansinho

Cantai rapazes cantai
Cantai as vossas cantigas
E vós também cantai
Cantai lindas raparigas
Hoje há alegria no rostrigueiro
Porque a vida com tristeza
Nada tem preço inteiro.
Situada junto à serra
Que com carinho te fica
És assim da nossa Beira
A terra mais bonita

Cantai rapazes cantai
Cantai as vossas cantigas
E vós também cantai
Cantai lindas raparigas
O teu pasto é tão farto
O teu gado sem rival
É dele que nos vem o queijo
O melhor de Portugal.
A nossa Igreja velhinha
Rodeada de oliveiras

OUTROS ASPECTOS - TOPONÍMIA


Curiosidades do tempo

No dia 3 de Setembro de 1810, Beresford estabeleceu nesta povoação o seu quartel general, retirando no dia seguinte para Moimenta da serra, de onde continuou a marcha até se reunir ao grosso do exército aliado que no Buçaco derrotou os Franceses.
No seu limite há vestígios de algumas raças dominadoras da Península, como por exemplo, no sítio da Quinta do Mouro onde apareceram alguns objectos pré-históricos que pelo Dr. Carlos Borges foram oferecidos ao Museu Santos Rocha na Figueira da Foz.
Uma forte trovoada em 5 de Junho de 1906 terá causado aqui grandes prejuízos.
Cortiçô notabilizou-se pelas suas indústrias, provando-se isto não só com a tradição de locais a elas relacionadas – Olas, Tintes, Pisão, Pelames, como também pela documentação arquivada.
Chamavam-lhe também Cortiçô de Oleiros, porque nalguns processos de Habilitação para o Santo ofício figuram como testemunhas Maria Ferreira de Cortiçô de leiros, Paschoa Fernandes, fiadeira de roda, João Nunes, tecelão, Paulo rodrigues e António Fernandes, tozador.