Outrora vila, o Baraçal é hoje sede de freguesia, constituída pelos lugares de Cortegada e Baraçal, que no seu conjunto possuem 262 habitantes.
A origem do seu nome é de difícil aferição. Manuel Ramos de Oliveira refere que a terra se denominou Vila de Bracejo, devido ao facto de abundarem então este género de gramíneas que a botânica chama esparto. Mas não passa de uma hipótese remota. Tal como a possível derivação do nome de “barosa” – braça – medida de dez palmos, ou de barçal – armadura com que se defendiam os braços, ou ainda de baraço.
Constituiu o Baraçal antiga Vila com direitos senhoriais de justiça, com prisão e forca. A antiga Casa da Câmara, sabe-se, foi arrematada em 19 de Junho de 1857 por Joaquim Amaral Pais. Tem pelourinho, mas nunca se conheceu que tivesse foral. Aliás, o velho símbolo municipal que se erguia na pequena praça a meio da povoação desapareceu em trágicas circunstâncias, graças ao pagão espectáculo da “morte do galo”. Subsistiu o belo capitel exagonal, exibido na chamada “fonte grande”. Existiu no mesmo lugar do Baraçal um antigo castro, o castro do monte da Cabeça Grande em lugar alto, donde se avistaria uma bonita paisagem. As três casas senhoriais mostram na actualidade a importância e riqueza da freguesia.
Situada entre as freguesias do Minhocal, Maçal do Chão, Velosa, Açores, Ratoeira e Fornotelheiro, tem excelentes acessos para outros limites, pelas Estradas Municipais 586, 580 e 58. Possui também estação de caminhos de ferro. Estando presentemente desactivada, mantém no entanto ligações ferroviárias com outras localidades, através dos comboios regionais via Pampilhosa, Guarda e Vilar Formoso. Porém, a melhoria e modernização da linha da Beira Alta fará desaparecer esta estação, não ficando todavia os seus habitantes prejudicados, visto que a estação “Celorico - Gare”, apenas dista 5 Km da sede de freguesia.
São os pinheiros, a silvopastorícia, a batata, o queijo, os produtos do sector primário com maior expressão na freguesia. Terras onde os problemas da emigração também se fizeram sentir, a freguesia do Baraçal, atenuou de alguma forma este problema, com a vinda dos portugueses das ex-colónias, após o 25 Abril de 1974 .
O visitante pode observar toda a freguesia, da parte mais alta, denominada de “Castelo do Baraçal”, local nobre para a contemplação e bastante utilizado para as saídas de Domingo, bem como para realização de “piqueniques”, e outras actividades de lazer.
Os tempos livres são ocupados na freguesia, nas instalações do parque infantil, pelos mais novos. Naturalmente, ambém os cafés da freguesia são ponto de encontro habitual, jogando os mais velhos ao “Chincalhão”, jogo de complicadas regras, pois varia consoante o número de jogadores que deverá ser sempre par (2, 4, 6, 8, 10 ou 12).
Deixamos pois, aqui, o desafio para os mais audazes que se queiram aventurar a aprender tão difícil e interessante jogo.